Agora ficou muito fácil entender a luta dos cegos pelo direito ao livro

Imagine se você só pudesse comprar roupas na lojinha de seu bairro, a vida toda. Roupas sem numeração, com poucas opções de modelos e cores, sem qualidade, enquanto todo mundo que você conhece continuasse comprando desde sempre em todas as lojas que quisesse.

Um dia, uma lei determina que você também vai poder comprar em todas as lojas do mundo, mas a lojinha do bairro interfere com um belo de um lobby, impõe suas roupinhas e você se vê ameaçado de voltar a comprar só com ela pela vida toda!

O exemplo pode parecer surreal, mas é isso o que está acontecendo com os cegos do Brasil. Têm acesso aos livros somente de uma tradicional instituição assistencialista paulistana, que recebe gordas verbas governamentais e doações para produzi-los. Seu acervo é precário, com obras em braile, audiolivros e digitais de domínio público (e é ela quem escolhe os títulos disponíveis). Se você precisar de um livro didático ou de uma apostila de concurso, manda pra lá, entra em uma fila e recebe depois de… dois anos!!! (imagine na lojinha, se você encomenda uma roupa e demora todo esse tempo…)

Ainda bem que a tecnologia trouxe uma revolução na maneira como cegos têm acesso aos livros no mundo inteiro e há muitos anos surgiram os chamados leitores de tela em computadores, smartphones e Iphones: uma voz sintética lê em voz alta todo o conteúdo das telas. Com esses softwares, bastaria que as editoras que ELES escolhessem vendessem os títulos que ELES quisessem no formato digital acessível, que já é a matriz do livro impresso, ou seja, fica pronta antes dele.

A tecnologia chegou e, depois de muita luta, os cegos conseguiram a aprovação da Lei Brasileira de Inclusão, que obriga todas as editoras brasileiras a venderem a eles seus livros digitais acessíveis.

Mas a instituição assistencialista, ou a lojinha do bairro, inconformada (e olha que ela propaga inclusão), está fazendo um baita de um lobby para regulamentar a lei e propor um formato digital que somente ELA produza, o chamado DAISY, por exemplo. Se a lei for regulamentada e determinar que os cegos podem comprar das editoras desde que seja o DAISY, os editores vão dizer: “Mas a gente não tem condições de produzir o Daisy!” e pronto: os cegos voltam para a lojinha. Retrocesso total!!

Para que isso não aconteça, por favor, assine nossa petição pelo direito da pessoa cega ter as mesmas oportunidades que você, que enxerga: o acesso aos livros que quiser, na hora em que quiser, diretamente das editoras! Pense: onde é que você estaria hoje se não fossem os livros? Como seria sua vida?

Imagine depender da caridade de uma instituição ou da leitura de familiares, colegas e professores para estudar…

Você também pode estar se perguntando: mas, e os e-books, ou livros eletrônicos? Eles correspondem a apenas 5% da produção mundial de livros e ainda são pouquíssimos os didáticos, além de apenas uma pequena parte seguir as normas de acessibilidade e Desenho Universal.

E o braile? Infelizmente, as editoras dificilmente o produzirão: para cada volume de livro em braile, correspondem não sei quantos no formato convencional. E com o avanço cada vez maior da tecnologia, já é possível até mesmo imprimir braile em casa! Além disso, 80% das pessoas que ficam cegas em todo o mundo, ficam cegas depois dos 50 anos, por causa da diabetes ou do glaucoma, por exemplo. Nessa idade, dificilmente aprende-se braile. E um diabético, de tanto furar as pontas dos dedos com a agulha para medir o nível de glicose, acaba perdendo a sensibilidade neles.

Se hoje qualquer criança, jovem ou adulto utiliza o computador grande parte do tempo, essa preferência não é diferente entre os cegos. Cegos escrevem e enviam e-mails, utilizam todo tipo de aplicativo e participam ativamente das redes sociais como todo mundo. Só não têm acesso a livros como todo mundo.

A lojinha de roupas jamais teria tanto poder assim. Mas a instituição assistencialista paulistana tem. Isso também é surreal.

Não ao monopólio do assistencialismo sobre o livro acessível!

Inclusão é garantia de direitos e não caridade!

Conheça, apoie e divulgue esta causa! Assine esta petição!

https://www.change.org/p/deputada-federal-mara-gabrilli-cegos-podem-perder-direito-de-acesso-a-leitura-combatamos-essa-amea%C3%A7a

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